Parashat Vayishlach
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- 28 de nov. de 2023
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VAYISHLACH (E enviou)
Bereshit 32:4 – 36:43
“E enviou Yacov malachim diante de si a seu irmão Esav...” É assim que esta Parashah começa, e desta forma poderemos aprender os seus grandiosos ensinamentos realmente transformadores, que podem elevar nossa consciência, desde que consigamos aplicar o Daat, conhecimento, escondido nesta porção ao nosso dia a dia.
Em qualquer bíblia iremos encontrar a palavra “Malachim” traduzida como mensageiros. Na verdade esta é a tradução literal da palavra, mas seu sentido pode ser outro, pois “Malachim” também é a tradução para a palavra Anjos. A Kabalah nos ensina que os Anjos, como mensageiros, podem ser muitas coisas, muitos seres, tanto encarnados como desencarnados, desde que cumpram sua missão que é de servirem realmente de mensageiros entre homens, e entre o Criador e suas criaturas. Yacov iria reencontrar seu irmão após longos 20 anos, seu irmão que o jurara de morte pela enganação na “compra” e no “roubo” da primogenitura e das bençãos de seu pai. Sempre que realizamos uma ação, antes emanamos emoções, sentimentos, intenções. Antes de darmos uma bela caminhada ao entardecer, esta ação é precedida pela intenção em caminhar. Quando vamos a uma festa, passamos a semana imaginando como será a mesma, o que iremos fazer, quem iremos encontrar, em outras palavras, as intenções precedem as ações. Da mesma forma, Yacov orou muito e refletiu bastante antes de encontrar seu irmão Esav, e suas intenções eram de que seu irmão o perdoasse. E sabemos que todas as orações são ouvidas pelo Criador. E as orações de Yacov, carregadas de emoções, tornaram-se “Malachim” e tocaram o coração de seu irmão. Anjos, não como seres com asas, mas como energias benéficas capazes de unir corações. Já orou hoje por algum ente querido? Saiba que onde ele estiver o Criador encaminhará nossa oração até seu coração, como uma mensagem de amor e de luz. Na sequência da Parashah, temos a mais bela mensagem da Torah, a luta de Yacov com o Malach HaMavet, o anjo da morte. Esav estava acompanhado de 400 homens para esperar Yacov, e 400 é o número da letra hebraica Tav, última letra do alfabeto hebraico, que simboliza a morte física, a morte de atitudes, e este era o medo de Yacov. Durante a noite, quando Yacov orava pela segurança de sua família e pelo perdão de seu irmão, o terrível anjo da morte trava uma violenta luta contra Yacov. Um segredo aqui merece ser revelado. Em algumas literaturas encontramos este anjo da morte como sendo o anjo Uriel (Chama de Deus), representando a chama oriunda da Luz do Criador. Imaginamos agora como deve ter sido esta luta na verdade, onde de um lado Yacov (nós) e de outro Uriel (o entendimento da verdade que provem de Deus). Na verdade a luta não foi contra Uriel, mas sim uma luta filosófica e espiritual que fazemos aos nos depararmos com dificuldade e principalmente verdades espirituais. Uma luta para absorver o conhecimento, uma luta de nosso orgulho diante da verdade, onde nosso orgulho sai ferido, mas nossa alma abençoada pela luz da verdade. Esta é a luta que devemos travar para que realmente possamos evoluir e nos transformar. E como sabemos disto? Antes da luta seu nome era Yacov (que se agarra ao calcanhar, ou até mesmo que engana) mostrando um arquétipo da humanidade em sua generalidade, pois infelizmente os homens enganam, mentem, agarram ao calcanhar daqueles que desejam ocupar o mesmo lugar. Após a luta recebe como benção o nome de Israel (aquele que é forte com Deus), pois como o próprio anjo relata, Yacov foi forte com Deus, ou seja, fiel a Ele, e foi bravo contra os homens, contra os apelos da matéria e dos prazeres que nos prendem a este Mundo do 1%. Antes da luta Yacov, corria livremente,mostrando justamente algo que ocorre no nosso dia a dia, a correria, a pressa pelas coisas, pelo ter, a ânsia que a vida profissional muitas vezes nos impõe. E após a luta, ferido na coxa, Israel tem que mancar, ou seja, diminuir seu ritmo de vida, relembrar e reviver sua espiritualidade muitas vezes deixada de lado em prol das facilidades do mundo. Outro ponto muito importante relatado nesta Parashah é justamente o encontro dos irmãos, onde ambas as almas, passadas duas décadas se reencontram, e renovadas relatam seus atos e reatam seus laços, então Yacov, agora Israel, insiste para que seu irmão aceitasse seus presentes de desculpas, mas Esav, que era muito rico, não quer aceitar, pois teme que seu irmão venha a precisar e entende que não necessita, pois o passado já passou e somente o sentimento fraternal deve imperar, mas Israel realmente insiste e lhe diz que “Deus me deu TUDO”, mas não tudo material, antes o que realmente importa, seus bens espirituais. Deus nos dá, nos deu e nos dará TUDO aquilo de que realmente precisarmos. Reflitamos nisso! Vamos pensar, meditar, refletindo nesta Parashah, e nos preparando para darmos mais um passo em nossa jornada evolutiva nos caminhos de um Kabalista. Vamos deixar a correria do dia-a-dia, ou pelo menos que ela não seja a única intenção a nos mover, e vamos “mancar”, diminuir nosso passo, nosso ritmo, a ponto de podermos observar as coisas realmente importantes em nossas vidas, as flores, os pássaros, as crianças, um sorriso, enfim tudo que preenche realmente nosso espírito. Vamos enfrentar nosso terrível Anjo da Morte, que mata nossos sonhos, nossas crenças, nossas esperanças, e “matemos”, ou melhor, transformemos nosso Yacov, nosso desejo de enganar, de tirar vantagens, de agarrar calcanhares e renasçamos como Israel, que antes de ser um povo, um país, é nosso íntimo, é o símbolo do homem espiritualizado que todos devemos almejar um dia sermos, e que realmente do fundo de nossos corações, do fundo de nossas almas, com todas as nossas forças e de todo nosso entendimento, possamos olhar ao nosso redor e com um sorriso nos lábios dizermos: “EU TENHO TUDO”.
Haftará: Obadiah 1:1-21

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